sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Diário Gauche: "Lula deu aula sobre Mercosul e Alca"
Diário Gauche: "Lula deu aula sobre Mercosul e Alca": "É a avaliação de prestigiado jornalista argentino No blog do jornalista Martín Granovsky, acatado colunista do diário Página 12 de Buenos..."
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Dando início nas discussões em torno dos comentários como tutora
A seguir, três dos comentários realizados em esboços de projetos de aprendizagem realizados por alun@s na temática 7 de Artes Visuais:
Comentário 1:
Comentário 1:
Pessoal do grupo: O tema do projeto é bem interessante e importante para trabalhar a questão da identidade cultural do município em relação com a arte. Em muitos municípios temos experiências maravilhosas, mas que quase não ficamos sabendo que acontecem. Então aí, mais um ponto importante para o trabalho de vocês. E isso vocês expõe muito bem na justificativa! No item “Atividades”, pergunto: 1) na “primeira semana”, interessante a proposta, mas fiquei curiosa para saber do “embasamento teórico” de vocês para proporem essa atividade. Quer dizer, o que vocês pressupõem que os alunos encontrarão? De que modo se dará a discussão? Talvez fosse bom preparar um material para ser incluída nesta discussão, privilegiando uma leitura de imagens das produções de arte do entorno da escola, do município... Ou mesmo, se possível, que nessa caminhada os alunos pudesse fotografar as artes que viram...; 2) na “segunda semana”: de que obras e autores vocês estão se referindo? Como seria o trabalho com as cores e os objetos, por exemplo? Poderiam especificar mais o trabalho com as obras; 3) na “terceira semana” poderiam explicar melhor as relações desta ação com o projeto; 4) na “quarta semana” vocês se referem a réplica e a releitura. Tudo bem, mas uma dúvida: qual a intenção pedagógica na utilização da estratégia da réplica, por exemplo? De modo geral, fiquei pensando que poderiam ter relacionado mais as atividades com o tema do projeto. Na temática 6 conhecemos melhor os variados espaços da arte (e legal que vocês querem privilegiar isso!), vimos que há espaços formais e informais de arte em nossas cidades. Creio que talvez poderiam privilegiar essa discussão em todo o projeto, já que é o tema dele. Na cidade de vocês não há nenhum museu mantido pela prefeitura, por exemplo? Há artistas na cidade? Fizeram uma pesquisa para saber disso, já que este é o tema do projeto? Não poderiam estabelecer uma relação entre o projeto e essas “figuras” da cidade? Os alunos teriam muito a aprender com essas pessoas, por exemplo. No “desenvolvimento” aparecem os artistas que serão trabalhados, bem como as estratégias mais pontuais para o desenvolvimento do projeto. Nesse sentido, achei muito pertinente as propostas! Ir na secretaria e em escolas discutir o espaço da arte (e aí é legal que os professores dêem subsídios para essas conversas que os alunos terão), ir no ateliê (e por que não trabalhar com algumas obras desta artista também?), a apresentação da pesquisa dos grupos. Excelente a idéia de vocês! Apenas uma dúvida: em que semana das propostas sugeridas pelo grupo essas pesquisas seriam realizadas? No item “avaliação”, outra dúvida: os alunos já possuem/possuiriam blogs antes deste projeto ou seriam criados durante o projeto? Pessoal, acho que a proposta é muito boa!!! Creio, para finalizar, que o item “desenvolvimento” poderia ser dissolvido nas semanas que vocês propõe, para termos a idéia do que conduz o projeto, bem como porque talvez faça mais sentido ler a proposta e já o seu possível desenvolvimento. Bem, compreendi que esse é o esboço do projeto de vocês, e foi por isso que escrevi tentando contribuir de algum modo. Se fosse a versão final escreveria de outro modo. Para quando vocês conseguirão entregar a versão final? Um abraço e parabéns pelas ótimas idéias!!! Viviane
Comentário 2:
Oi XXX e XXX (para garantir o anonimato dos alunos)! Tudo bem com vocês? Bem, depois de ler o projeto de vocês (em construção, conforme o arquivo) pontuei as seguintes considerações: a) o projeto está bem interessante. Uma pena que não tenham incluído obras da Bienal neste projeto, como era solicitado na atividade. Além disso, no caso da obra da artista Laura Belém, seria interessante incluírem uma imagem da obra para que os leitores possam tirar as suas próprias conclusões; b) como vimos na temática 7, um projeto é algo diferente, por exemplo, do que a proposição de atividades em série, e isso justifica o porquê de que em projetos uma pergunta inicial tem vez, uma vez que essa pergunta/problematização será a condução para as ações do projeto. Assim, pergunto: e qual a questão do projeto de vocês? E qual o tema/conteúdo? Vejam no item 4 do roteiro para a elaboração do projeto de aprendizagem, enviado pela profª Ana Claudia, mais sobre isso; c) no item 1 da metodologia vocês não iriam incitar a leitura da imagem, articulando as falas deles? Não iriam provocar o debate? Não poderiam realizar comparações entre imagens, como vimos em algumas temáticas? No item 5, a qual pesquisa estão se referindo? Explicitem mais isso. No item 6, como seria isso? O que há nesses ambientes? Não seria feita uma preparação para essas visitas?; d) faltou especificar os recursos utilizados, a forma de avaliação (vejam a temática 9), assim como o produto final do projeto; e) nos “resultados esperados” vocês escrevem muito amplamente, é importante detalhar mais: quais cruzamentos interdisciplinares seriam, na prática, realizados? Que conhecimentos de outras disciplinas seriam englobados (talvez, levando isso em consideração, a metodologia tenha que ser repensada e posta de modo mais detalhado)? De modo geral, acho que seria importante a releitura da temática 7 para pensar mais na singularidade da idéia de projeto de aprendizagem, o qual tem um fio condutor, uma pergunta que percorre o projeto, no qual a pesquisa está envolvida, bem como na importância, por exemplo, de outros temas que estudamos na interdisciplina, como a questão da leitura de imagens e a comparação entre elas, o que vimos e aprendemos na Bienal, em relação as obras, etc. Abraços!
Comentário 3:
Oi pessoal do grupo! Percebi que vocês detalharam muito bem o perfil da turma, no item 1, englobando, nesse sentido, também os saberes sobre artes que a turma possui. E é isso que se espera! Ou seja, que em cada aspecto do roteiro para o projeto de aprendizagem (enviado pela professora Ana Claudia) haja um detalhamento do que é pedido, pois isso também mostra o envolvimento com a tarefa. Além disso, como diz na temática 7 estudada, fazer um projeto de aprendizagem não é uma tarefa nada fácil. Um alerta: planejar um projeto de aprendizagem é algo bem diferenciada do que propor algumas atividades. Um projeto inicia com uma pergunta inicial, a qual será desenvolvida através de “fios condutores”, interligando as diferentes partes do projeto (isso foi bem explicado na temática 7). A justificativa para o trabalho com a obra de Francisco Matto está bem articulada e condizente com o contexto da turma, parece. Vocês explicitaram o tema do projeto, mas e quanto aos conteúdos (em relação ao tema, objetivos, as obras selecionadas, etc.) trabalhados? Trabalharão com alguma obra em especial (ou mais de uma? Sabem dizer quais?)? Pessoal: o que vocês propõe (em especial no item 4) precisa ser mais bem explorado para ter o caráter de projeto, senão fica o encadeamento de atividades sem ser um projeto. Vejam só o que a temática 7 expõe em http://www.pead.faced.ufr gs.br/sites/publico/eixo3 /artesvisuais/bloco_III/t ematica_7/b3_t7_40.html. Muito relevante também o quadro produzido a partir das considerações do Fernando Hernández na temática 7 (ver em http://www.pead.faced.ufr gs.br/sites/publico/eixo3 /artesvisuais/bloco_III/t ematica_7/b3_t7_38.html). O item 4 precisa, portanto, ser muito mais detalhado. Pergunto: de que modo o material será exposto para a turma (há muitas maneiras de fazer isso e é preciso que vocês explicitem qual das maneiras é a escolhida por vocês)? Bom, a Bienal já terminou, e como foi pedido o planejamento de um projeto pensando na sua viabilidade (ainda que não seja aplicado), é preciso que vocês encontrem outros modos de apresentar o material para os alunos. De que modos farão isso? Que outras estratégias serão criadas? Ainda no item 4, sobre os significados das obras e a inspiração para a criação do artista, de que modo isso será tratado? A escrita de vocês, nesse sentido, fica vaga. Isso poderia ser solucionado a partir da demarcação das obras que seriam trabalhadas e com um estudo sobre as influências, inspirações e particularidades da obra do artista. É preciso que pontuem bem o que será proposto, de forma esmiuçada e não de forma ampla, mostrando o aprendizado dos temas trabalhados neste semestre. Novamente: qual a pergunta do projeto? De que modo essa pergunta estará “amarrada” com o desenvolvimento do projeto? Considerando o exposto acima, sobre a Bienal, o item 5 também precisa ser revisto (se a Bienal terminou, é preciso pensar em outras estratégias para o projeto). No item 6 vocês confundiram um pouco com o item 5. Então: quais os recursos/materiais utilizados? Os desdobramentos propostos estão interessantes, mas precisam rever a questão da Bienal e, se possível, também especificar mais. Na avaliação, que relações podem ser estabelecidas com a temática 8, sobre avaliação? E em relação ao projeto em si, que outras relações podem ser estabelecidas entre o tema proposto, a obra de Francisco Matto (e a biografia do artista, seu interesse na arte pré-colombiana... como isso estará no projeto?) e as temáticas estudadas, como a questão do multiculturalismo, por exemplo? No item 10, de que modo o produto final estará apresentando a resposta ao problema proposto? Pessoal, há muitos aspectos a serem continuamente pensados. Abraços e bons estudos!!!
***
Cabe destacar que os comentários foram realizados em atividades que estavam “em construção”, afinal, eram esboços dos projetos de aprendizagem em Artes Visuais. O que fiz foi tentar perceber a singularidade de cada projeto, de cada escrita para, assim, poder achar formas para contribuir na retomada deles. Uma tarefa que não foi fácil, principalmente considerando que o trabalho em Artes Visuais é algo bem novo para mim. A experiência que tive nessa área na faculdade (de Pedagogia) foi bem diferente, e considerando esse ponto posso dizer que nunca aprendi tanto nessa área quanto nesse semestre, como tutora de Artes Visuais (uma experiência, realmente, única e singular!).
Talvez apareça um pouco nos comentários a minha vontade de fugir das generalizações ao realizar os comentários. Quer dizer, não basta acionar um “comentário-padrão” para todas as alunas, algo que diga, no geral, como está o trabalho. O importante é tentar “entrar” em cada trabalho de forma diferente, procurando perceber o que nele pode ser ressaltado, o que cada trabalho em si fala a nós, no modo como nos interroga, nos suspende e nos faz pensar... Acho que costumo ser bem “crítica” na realização dos comentários. E digo crítica, aqui, porque normalmente procuro fazer referência às possíveis modificações que poderiam ser pensadas em cada ponto do trabalho (como no caso desses esboços). Uma amostra de que a aprendizagem é mesmo um processo e, enquanto tal, todos nós temos muito a investir se o desejo é aprender sempre mais. Acho que depois posso retomar comentários anteriores para fazer comparações e ver no que modifiquei ou não. Posso pegar também alguns comentários que ficaram bem aquém do necessário para poder pensar mais a partir disso...
Talvez apareça um pouco nos comentários a minha vontade de fugir das generalizações ao realizar os comentários. Quer dizer, não basta acionar um “comentário-padrão” para todas as alunas, algo que diga, no geral, como está o trabalho. O importante é tentar “entrar” em cada trabalho de forma diferente, procurando perceber o que nele pode ser ressaltado, o que cada trabalho em si fala a nós, no modo como nos interroga, nos suspende e nos faz pensar... Acho que costumo ser bem “crítica” na realização dos comentários. E digo crítica, aqui, porque normalmente procuro fazer referência às possíveis modificações que poderiam ser pensadas em cada ponto do trabalho (como no caso desses esboços). Uma amostra de que a aprendizagem é mesmo um processo e, enquanto tal, todos nós temos muito a investir se o desejo é aprender sempre mais. Acho que depois posso retomar comentários anteriores para fazer comparações e ver no que modifiquei ou não. Posso pegar também alguns comentários que ficaram bem aquém do necessário para poder pensar mais a partir disso...
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Acompanhando a minha aprendizagem no PEAD
Em 04 de dezembro escrevi a reflexão que está abaixo no Fórum sobre tutoria do ROODA (no espaço da especialização):
Oi pessoal! Acho que um dos grandes desafios no trabalho de tutora está, efetivamente, em entender a posição e o momento de cada aluno. Acho que nós, tutores, que vamos acompanhando o processo de aprendizagem dos alunos, temos uma condição privilegiada nesse sentido. Afinal, é mais fácil para nós conseguirmos ver os avanços, as conquistas, o crescimento de cada um dos alunos... Acho que esse é um ponto diferenciado na nossa função. Os professores, que são mais "móveis" no curso, digamos, e que não fazem esse acompanhamento mais de "perto" não tem as mesmas condições para ver "de dentro" das práticas de estudo de cada aluno – algumas vezes materializadas nas suas produções... Tal possibilidade, nossa, nos incita a sermos mais sensíveis no trato com cada um, bem como nas nossas interlocuções através da escrita – seja nos comentários, nos atendimentos online, nos emails, fóruns, etc. Também um incitamento a acreditar na potencialidade de cada um para aprender, para repensar os modos pelos quais está pensando no momento...Quanto as minhas principais dificuldades como tutora, creio que são vários os desafios constantes: nesse semestre em especial, a falta de tempo para acompanhar 81 alunos, tendo certo "controle" sobre as entregas de cada um, bem como em relação aos comentários nas atividades. Neste ponto em especial, o desafio de "entrar" (como foi pontuado anteriormente, neste Fórum) em cada uma das escritas, incitando a problematizar o pensamento. Desafio de dialogar com cada escrita em particular, de forma esmiuçada, sem aderir a generalizações nos comentários. Isso porque cada trabalho (urdido pelos alunos com muito estudo, reflexões, etc.) merece que o tratemos como singular, então o desafio é conseguir dialogar com cada trabalho, estabelecendo uma relação de alteridade com essa obra e seu autor. E para isso, efetivamente, é preciso tempo! Eu costumo fazer assim: abro o trabalho, salvo em um documento geral do Word (onde coloco todos os trabalhos dos alunos), leio com atenção. Leio novamente, marcando alguns pontos que considero principais e que são passíveis de serem comentados. Após, vou pegando essas marcações e comentando, indagando, questionando, sugerindo, elogiando, etc (obviamente, sem perder a idéia do "todo"). Muitas vezes, nesse processo, também pesquiso bastante para estar mais apta a dialogar com o tema e a abordagem do aluno. É recorrente, ainda, ter que revisitar os textos e materiais da interdisciplina para que a minha escrita seja mais bem elaborada e relacionada com os estudos desenvolvidos (nesse processo também procuro, quando é possível, articular a escrita com alguma outra interdisciplina). Esse processo costuma fazer com que muitas vezes (mas nem sempre!) os meus comentários sejam grandes, mas essa não é uma "opção" minha, é o resultado do que a escrita do aluno me provocou a pensar. Não há, penso, como ser de outro modo. No momento é isso. Beijos a tod@s!
Creio que essa escrita mostra um pouco do processo de aprendizagem que o dia-a-dia como tutora está me proporcionando. Não pensei sempre deste modo e nem seguirei para sempre pensando somente desse jeito, creio, visto que a prática está me fazendo repensar constantemente as minhas estratégias para estabelecer o diálogo com as/os alunas/os, com as/os professoras/es, com meus colegas, etc.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Repensar a trajetória...
Na escrita anterior, refleti sobre as múltiplas produções possíveis nas conversas... O que possibilita considerar muitas das conversas que nos inquietam e desacomodam de algum jeito como uma arte. Conversas que nos mobilizam e mexem conosco de algum modo singular. Conversas onde saímos, nem que seja um pouco, modificados. E hoje à noite – numa reunião com o grupo de três Cachoeiras – tive a oportunidade de sentir, nas veias, outra conversa que me mobilizou a pensar, outra conversa que, de algum modo, mexeu comigo e desestabilizou algumas idéias recentemente pensadas...E essa mobilização diz respeito a um aspecto do curso de especialização. Mais especificamente, diz respeito à possibilidade, discorrida na última aula, sobre cada um de nós poder realizar as leituras conforme os nossos desejos de leitura, realizando-a sobre temas que tem sentido para nós. Bem, continuo achando isso válido como uma possibilidade diferenciada na educação – a de não impor, sempre, a sua Idéia, a sua verdade a ser transmitida através de textos. Uma oportunidade de abrir possibilidade para que cada um se aproxime das leituras sobre EAD a partir do enfoque da sua pesquisa (pesquisa que acompanhará todo o decorrer do curso, visto que não deve ser algo estanque nos semestres finais). Isso significa constituir na própria trajetória uma atitude investigativa e, do mesmo modo, pode possibilitar inserir no curso novas idéias, advindas da multiplicidade de interesses que compõem cada um de seus estudantes. Creio que esse é um ponto. Mas um ponto que, para mim, não precisava ser reelaborado, pelo menos até hoje à noite, quando voltei a pensar a respeito...
O que me fez repensar – sem abandonar essas idéias que julgo válidas e bem produtivas – é o fato de que isso não pode impedir que haja estratégias outras no curso, concomitante com a apresentada acima. Como foi ressaltado na reunião, é importante que sejam criados pontos de intersecção entre nós, os estudantes-tutores. Sim, um curso babélico, plural, é muito interessante, mas mesmo aí esses pontos de intersecção são importantes.
Então, leituras que numa proposta estejam bem organizadas, com estratégias e objetivos precisos, proporcionadores de novas conversas e aprendizagens, são úteis e vitais. Ou seja, sim, acho que espaços de liberdade para que cada um possa ser planejador e agente de sua aprendizagem, realizando atitudes investigativas na escolha de materiais, reflexões, escritas, etc., são fundamentais, mas também tempos e espaços coletivos para leituras de textos que aproximem a todos, enquanto pessoas envolvidas com a EAD, novas conversas, escritas...
Então, acho que essas duas estratégias são complementares: estudos sobre pontos que nos aproximam, como os referentes a EAD e, no mesmo movimento, leituras abertas para estudos sobre o que singulariza cada atitude investigativa nossa, cada novo pensar a EAD por entre suas práticas, já que a estamos experimentando no cotidiano...
Penso que outro ponto importante de ser salientado é sobre algo referido na postagem anterior neste blog, sobre não se ter como prever as aprendizagens que serão realizadas... Neste sentido, acho que estava confundindo um pouco isso com a questão do planejamento e estratégias a serem adotados pelos professores. Bem, embora não se tenha como ter certezas sobre as possíveis aprendizagens de cada um, isso não inviabiliza que novas estratégias e planejamentos sejam realizados durante o processo de um curso se o mais importante é o próprio processo e não o seu resultado ou a sua partida...
E registro essas idéias porque re-pensar o próprio curso que estamos fazendo parte evidencia, a meu ver, um aprendizado. Aprendizado que está em problematizar os ditos, verdades, práticas que acabamos assumindo e, do mesmo modo, ver que enquanto sujeitos em ação neste processo podemos, sim, repensá-lo para que faça mais sentido a cada um de nós...
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
A arte da conversa e suas múltiplas produções...
Na aula de terça-feira da especialização o professor Crediné ressaltou que nós não temos como prever que aprendizagens serão efetuadas, como e em que momento elas serão realizadas. Sobre isso, concordo, pois creio que por mais que criemos estratégias para propiciar melhores oportunidades de aprendizagens, nós nunca teríamos o controle sobre elas. Isso porque aí entram muitas variáveis (as quais posso dissertar melhor em algum outro momento).
Procurei trazer esse elemento para referir que, realmente, os processos de aprendizagens não têm como serem previstos de antemão: às vezes podem ocorrer dentro de uma sala de aula presencial, outras em uma conversa num bar, no MSN, na leitura atenta de algo, etc. E o interessante de pensar em um portfólio é essa atitude investigativa que vamos produzindo sobre nós mesmos, procurando perceber os momentos que um certo movimento de aprendizagem se fez presente e, do mesmo modo, o quanto isso nos tornou um pouco diferente, visto que temos aí um processo de deslocamento...
Num desses encontros que promove a aprendizagem, ontem tive um bem significativo. Encontrei no laboratório do PEAD a Zezé, tutora de Três Cachoeiras, e a conversa fluiu sobre o trabalho no PEAD, nossos interesses de pesquisa, práticas pedagógicas com laptops, computadores, conceitos... Dentre os conceitos que a Zezé me explicou e que instigou a conversa, surgiu o de cibertempo, micro-análises, entre muitos outros. Nessa conversa, que instigou um momento de interação e colaboração, idéias sobre o trabalho de conclusão para a especialização foram surgindo...
Bem, sempre tive interesse em pensar sobre o conceito da “experiência da leitura” que o Jorge Larrosa já trouxe em algumas publicações. Além disso, como pensar relações entre esse conceito e as produções de si na escrita? E mais: como pensar em autoria, produção de um pensamento como criação e possibilidade de ultrapassar a nós mesmo? Como pensar nessas possibilidades na educação a distância? Para o desenvolvimento dessas idéias as discussões sobre as “micro-análises”, trazidas pela Zezé, serão bem interessantes, pois há diferenças sobre essa abordagem e uma mais “macro”. É importante então, atentar para as múltiplas relações e conexões que tornam alguns acontecimentos na e com a educação singulares a ponto de se tornar um aprendizado. Em que momentos específicos há um movimento na aprendizagem? Os Inventários de aprendizagens serão instrumentos importantes nessa análise, bem como conversas online, possíveis entrevistas, observações, outros trabalhos e possíveis materiais de um curso sobre leitura, escrita e experimentações na educação que gostaria de vir a pensar como uma possibilidade das alunas cursarem em ambiente virtual.
Conceitos como a leitura e o pensamento como experiência, a escrita como possibilidade de produzir a si e se modificar, movimentos de aprendizagens ocorridos nesses processos de leitura e escritura, entre outros aspectos, são questões que quero prestar atenção.
E aqui, cabe ressaltar, achei interessante a fala da professora Cíntia na aula de terça, pois ela trouxe que temos possibilidades de realizar pesquisas ao longo da especialização. Pesquisas que, obviamente, envolvem leituras. E, principalmente, o quanto essas leituras devem estar conectadas aos interesses de cada um de nós, para que sejam algo com sentido para nós. Então, encontro uma boa acolhida para seguir pensando sobre o que quero pesquisar...
E aqui cabe ressaltar o quanto uma conversa pode produzir muitas coisas: inquietações, interesses, e uma modificação no modo como estamos sendo, pensando... o que significa, então, que aprendizagens ocorreram...
Afinal, conversar é uma arte e, como ressalta Larrosa (2003, p.212): "nunca se sabe aonde uma conversa pode levar... uma conversa não é algo que se faça, mas algo no que se entra... e, ao entrar nela, pode-se ir aonde não havia sido previsto... e essa é a maravilha da conversa... que, nela, pode-se chegar a dizer o que não queria dizer, o que não sabia dizer, o que não podia dizer..."
Zezé: muito obrigada por tantas conversas!
Referência
LARROSA, Jorge. A arte da conversa. In: SKLIAR, Carlos. Pedagogia (improvável) da diferença: e se o outro não estivesse aí? Trad. de Giane Lessa. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p.211-216
Procurei trazer esse elemento para referir que, realmente, os processos de aprendizagens não têm como serem previstos de antemão: às vezes podem ocorrer dentro de uma sala de aula presencial, outras em uma conversa num bar, no MSN, na leitura atenta de algo, etc. E o interessante de pensar em um portfólio é essa atitude investigativa que vamos produzindo sobre nós mesmos, procurando perceber os momentos que um certo movimento de aprendizagem se fez presente e, do mesmo modo, o quanto isso nos tornou um pouco diferente, visto que temos aí um processo de deslocamento...
Num desses encontros que promove a aprendizagem, ontem tive um bem significativo. Encontrei no laboratório do PEAD a Zezé, tutora de Três Cachoeiras, e a conversa fluiu sobre o trabalho no PEAD, nossos interesses de pesquisa, práticas pedagógicas com laptops, computadores, conceitos... Dentre os conceitos que a Zezé me explicou e que instigou a conversa, surgiu o de cibertempo, micro-análises, entre muitos outros. Nessa conversa, que instigou um momento de interação e colaboração, idéias sobre o trabalho de conclusão para a especialização foram surgindo...
Bem, sempre tive interesse em pensar sobre o conceito da “experiência da leitura” que o Jorge Larrosa já trouxe em algumas publicações. Além disso, como pensar relações entre esse conceito e as produções de si na escrita? E mais: como pensar em autoria, produção de um pensamento como criação e possibilidade de ultrapassar a nós mesmo? Como pensar nessas possibilidades na educação a distância? Para o desenvolvimento dessas idéias as discussões sobre as “micro-análises”, trazidas pela Zezé, serão bem interessantes, pois há diferenças sobre essa abordagem e uma mais “macro”. É importante então, atentar para as múltiplas relações e conexões que tornam alguns acontecimentos na e com a educação singulares a ponto de se tornar um aprendizado. Em que momentos específicos há um movimento na aprendizagem? Os Inventários de aprendizagens serão instrumentos importantes nessa análise, bem como conversas online, possíveis entrevistas, observações, outros trabalhos e possíveis materiais de um curso sobre leitura, escrita e experimentações na educação que gostaria de vir a pensar como uma possibilidade das alunas cursarem em ambiente virtual.
Conceitos como a leitura e o pensamento como experiência, a escrita como possibilidade de produzir a si e se modificar, movimentos de aprendizagens ocorridos nesses processos de leitura e escritura, entre outros aspectos, são questões que quero prestar atenção.
E aqui, cabe ressaltar, achei interessante a fala da professora Cíntia na aula de terça, pois ela trouxe que temos possibilidades de realizar pesquisas ao longo da especialização. Pesquisas que, obviamente, envolvem leituras. E, principalmente, o quanto essas leituras devem estar conectadas aos interesses de cada um de nós, para que sejam algo com sentido para nós. Então, encontro uma boa acolhida para seguir pensando sobre o que quero pesquisar...
E aqui cabe ressaltar o quanto uma conversa pode produzir muitas coisas: inquietações, interesses, e uma modificação no modo como estamos sendo, pensando... o que significa, então, que aprendizagens ocorreram...
Afinal, conversar é uma arte e, como ressalta Larrosa (2003, p.212): "nunca se sabe aonde uma conversa pode levar... uma conversa não é algo que se faça, mas algo no que se entra... e, ao entrar nela, pode-se ir aonde não havia sido previsto... e essa é a maravilha da conversa... que, nela, pode-se chegar a dizer o que não queria dizer, o que não sabia dizer, o que não podia dizer..."
Zezé: muito obrigada por tantas conversas!
Referência
LARROSA, Jorge. A arte da conversa. In: SKLIAR, Carlos. Pedagogia (improvável) da diferença: e se o outro não estivesse aí? Trad. de Giane Lessa. Rio de Janeiro: DP&A, 2003. p.211-216
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